Henrique Raposo: Sinto vergonha alheia por este homem tão pequenino, tão pobre, deste cronista do tremoço, do palito e da bejeca.


Tenho passado diversas vezes os olhos pelos textos de Henrique Raposo no Expresso e tenho gradualmente vindo a ganhar uma espécie de asco pelo que leio. Não tanto pelas ideias - embora discorde com a esmagadora maioria das que ele professa -, mas, sobretudo, pela forma como escreve. É grosseiro, xenófobo e profundamente chauvinista. Um desprezível preconceituoso a toda a linha. 

Na crónica desta semana (10/8/2013), intitulada "Quinto Império do Bumbum", o autor disserta acerca dos rabos das mulheres portuguesas e de como estes se estão a assemelhar àquilo que, segundo ele, era tido até agora como uma marca identitária das mulheres brasileiras. 

O texto começa por recordar as portuguesas nos anos 80 e conclui nesse capítulo: era fácil distinguir uma portuguesa no meio de um molho de europeias. Era a mal vestida, a enfezadinha e aquela que tinha relações nulas com a maquilhagem. Mas o panorama mudou! Depois de uma sondagem realizada num almoço com três amigos, conclui que O nosso mulherio já não leva goleadas homéricas da estranja

E este nível de prosa e de teorias profundas - de tasca, como o próprio autor confessa - galopa depois do chauvinismo para a xenofobia: Ele é a sueca a quem basta pagar um copo, ele é a polaca a quem nem é preciso pagar um copo de água, ele é a alemã que até paga

Sinto vergonha alheia por este homem tão pequenino, tão pobre, deste cronista do tremoço, do palito e da bejeca. Espanto que escreva no Expresso, na mesma página que o jornalista Daniel Oliveira e o historiador Rui Ramos. 

Este homem pequenino e brega, desprezivelmente preconceituoso, desabafa sobre a sua actividade: Cronista sem obsessões é como bordel sem madame, convento sem santa do pau oco, menina do Pingo Doce sem unha de gel. (2/8/2013) 

Já em textos anteriores demonstra o quão estreito é o seu conceito do outro. Acerca de um costume cultural na Mauritânia, o "leblouh", o Henrique Raposo oferece-nos as seguintes pérolas de preconceito racial, cultural e chauvinista: Do alto da sua ignorância eurocêntrica, um sujeito pensa que África é sinónimo de mulheres escanzeladas e famélicas, mas parece que existe um país africano onde as mulheres são versões negras da Miss Piggy. Aliás, as mulheres deste país têm mesmo ser badochas. É uma imposição social. Estou a falar desse paraíso nórdico chamado Mauritânia, e a prática em questão dá pelo nome de leblouh, que é como quem diz "ó filha, tens de engordar, senão não arranjas homem". [...] A maioria dos cavalheiros da Mauritânia (70%) não quer dar o nó com porta-aviões de estrias ou com colecções de doenças coronárias. Quem diria? Uns aculturados, é o que é, uns vendidos à cultura eurocêntrica. (19/6/2013) 

Aliás, não tem qualquer pejo em definir o seu ideal feminino físico e em registar a sua indignação quando as modelos de lingerie que vê nos anúncios não se enquadram nesse seu gosto: E, agora, um sujeito olha e fica a magicar com os seus botões: "quando é que a Triumph volta a ter mulheres a sério nos cartazes?". Os novos cartazes seriam bons para anunciar a nova temporada de "Ossos", mas não são bons para levar a malta a comprar lingerie. Sim, porque a lingerie serve para cobrir curvas, e não linhas rectas. E algumas daquelas meninas dos novos cartazes parecem representações dum paralelepípedo, parecem aulas de geometria descritiva. Onde é que estão as curvas? Onde é que está a coxa carnal? Onde é que estão os quadris? Onde está o busto-que-desafia-Newton? (15/12/2011) 

É este homem "licenciado em História" que se refere aos emigrantes portugueses nestes termos: Em Agosto, Portugal é invadido pelos emigrantes que regressam à pátria montados nas suas fanfarronas bombas de matrícula amarela. Sobre isto tenho uma confissão a fazer: esta invasão sempre me incomodou. [...] Há dias, o transtorno era tanto, que até comecei a pensar nisto: «Mas porque raio me irrito com os “emigras”?». [...] Nós rejeitamos os emigrantes porque eles nos fazem lembrar aquilo que queríamos esquecer: o atraso histórico de Portugal. [...] A cada Agosto, o «Portugal» mais recente, o da sofisticação académica e cultural, é forçado a reconhecer a existência dos outros «Portugais». E isso dói. (18/8/2009) 

Como referi no início, não o critico pelas suas ideias. Embora tenha tiradas dignas de ditador A complicada situação no Egipto mostra pela enésima vez que democracia não é sinónimo de liberdade. (23/7/2013); uma coisa são os negócios, outra coisa é a política. As nossas empresas podem fazer negócios com as ditaduras. Toda a gente faz isso. Aliás, uma das melhores formas de abrir uma ditadura é através do comércio com o exterior.(28/2/2011); precisamos de alterações formais que alarguem a estabilidade governativa. Por exemplo, necessitamos de uma lei eleitoral que beneficie a governabilidade em detrimento da representatividade. (8/7/2013); ou é bom ver o mundo ajoelhado perante uma religião cá de casa.(24/7/2013), tenho-lhe asco pela forma como as faz. Insulta, ofende e pertence a um grupo de portugueses de que tenho vergonha. É alguém para quem a mulher se mede pelas suas preferências sexuais, para quem as pessoas se medem pela sua classe social, para quem o mundo está dividido entre a sua ideia retrógrada de Europa e o resto, para quem há doutores e os outros que gostavam de ser. 

O sindicato dos Enfermeiros exigiu um pedido de desculpas, que nunca chegou, perante o que se segue: É como se os enfermeiros estivessem a gritar contra os médicos: "olhem, olhem, nós agora também somos licenciados, e sabemos tanto como vocês". Será por isso que os enfermeiros não fazem o trabalho "sujo" nos hospitais? Será por isso que tem de haver aquele batalhão de auxiliares para as tarefas sujas e simples? O dr. enfermeiro já é demasiado fino para limpar o rabo aos velhinhos? É isso? (30/3/2010)

Comentários

  1. É triste que este género de pessoas tenham uma constante carta verde para publicarem os ideais mais primários que um ser humano pode ter, seja esse ser humano licenciado ou não.
    O pobre senhor parece-me frustrado com a sua vida, sentindo a necessidade de ir para um jornal, bem vendido, criticar tudo o que considera inferior aos seus ideias, utilizando um sentido de humor forçado e, mais uma vez, primário.
    As pessoas falam da ditadura como se fosse a salvadora da pátria, sem terem noção que se estivéssemos de facto numa ditadura, nunca poderiam exprimir essa mesma ideia. Por outras palavras, falam de boca cheia.
    Pobrezinho do Henrique Raposo, que tanto queria ser doutor e acabou licenciado em História (não dá valor à formação que tem) a escrever desabafos no Expresso. (tom sarcástico difícil de expressar por escrito).

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  2. Quem é esse Henrique Raposo ?
    pelo que dele agora foi servido só pode ser mais uma bosta da manada peçonhenta e cheia de carraças que pasta neste pequeno e desgraçado país. Só pode.

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